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Financeiro8 min de leituraPublicado em 20 de maio de 2026

Quanto rende o Tesouro Direto? Guia completo de tipos, rendimentos e como investir

Entenda quanto rende cada tipo de Tesouro Direto (Selic, IPCA+, Prefixado), como funciona a tributação, quando resgatar e se é melhor que a poupança.

O Tesouro Direto é o investimento mais seguro disponível no Brasil — afinal, você está emprestando dinheiro para o governo federal. Mas com diferentes tipos de títulos disponíveis (Selic, IPCA+, Prefixado), entender qual escolher e quanto cada um rende é essencial para não deixar dinheiro na mesa. Neste guia, você aprende a diferença entre cada título, como calcular o rendimento real e quando o Tesouro Direto faz mais sentido que outras opções.

Como funciona o Tesouro Direto

O Tesouro Direto é um programa do governo federal brasileiro, criado em 2002, que permite que pessoas físicas comprem títulos públicos diretamente pela internet. Antes, esse mercado era restrito a grandes investidores e fundos.

Quando você compra um título do Tesouro, está emprestando dinheiro para o governo. Em troca, recebe de volta o valor corrigido por juros na data de vencimento. O risco de crédito é o menor possível — o governo pode imprimir dinheiro se necessário (embora isso cause inflação), mas tecnicamente nunca deixa de pagar seus títulos em moeda nacional.

Como investir: 1. Tenha conta em uma corretora ou banco habilitado (XP, BTG, Rico, NuInvest, Itaú, Bradesco etc.) 2. Acesse a plataforma e escolha o título 3. Invista a partir de R$ 30 (aproximadamente — equivale a 1% de um título) 4. Acompanhe pelo site do Tesouro Direto (tesourodireto.gov.br) ou pelo aplicativo

Custos: a taxa da B3 é de 0,20% ao ano sobre o valor investido. Algumas corretoras cobram taxa de custódia adicional; as maiores hoje isentam.

Tesouro Selic: o ideal para reserva de emergência

O Tesouro Selic (antigo LFT) acompanha a taxa Selic diariamente. Se a Selic está em 13,75% ao ano, seu Tesouro Selic rende aproximadamente isso (menos a taxa da B3 e o IR).

Características: • Rentabilidade: 100% da Selic • Liquidez: diária (você resgata qualquer dia útil sem perda) • Risco de mercado: baixíssimo (não oscila com as expectativas de juros futuros) • Prazo: sem data de vencimento fixa (se quiser resgatar antes, pode)

Rendimento líquido estimado com Selic a 13,75% e resgate após 1 ano: • Rendimento bruto: 13,75% • Menos taxa B3 (0,20%): 13,55% • Menos IR de 17,5% (prazo entre 361 e 720 dias): 13,55% × (1 − 0,175) = 11,18% líquido • Menos inflação estimada de 4%: rendimento real ≈ 6,9% a.a.

Comparação com poupança na mesma situação (70% da Selic = 9,625% bruto, isenta de IR): 9,625% − 4% de inflação = rendimento real de ~5,4% a.a.

Conclusão: Tesouro Selic rende mais que a poupança em quase todos os cenários de Selic acima de 8,5% a.a.

Tesouro IPCA+: proteção contra a inflação no longo prazo

O Tesouro IPCA+ (antigo NTN-B) paga a variação do IPCA (inflação oficial) mais uma taxa de juros real prefixada. É o título ideal para objetivos de longo prazo — aposentadoria, compra de imóvel daqui a 20 anos, etc.

Exemplo: Tesouro IPCA+ 2035 com taxa de IPCA + 6,5% a.a. • Se o IPCA for 4% no período, você ganha 4% + 6,5% = 10,5% a.a. nominalmente • Se o IPCA for 8%, você ganha 8% + 6,5% = 14,5% a.a. nominalmente • Em ambos os casos, seu rendimento real é sempre de 6,5% a.a. — essa é a garantia

Variante com juros semestrais (Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais / NTN-B): paga cupons de juros a cada 6 meses. Ideal para quem quer renda passiva.

Risco de marcação a mercado: se você vender ANTES do vencimento, o preço do título oscila conforme as expectativas de inflação e juros do mercado. Em períodos de alta de juros reais, o preço cai. Quem segura até o vencimento recebe exatamente o que foi contratado — sem surpresas.

Para objetivos de longo prazo (acima de 5 anos), o Tesouro IPCA+ é um dos melhores investimentos disponíveis para o investidor pessoa física no Brasil.

Tesouro Prefixado: quando as taxas estão altas

O Tesouro Prefixado (antigo LTN) paga uma taxa de juros fixa combinada no momento da compra, independentemente do que aconteça com a Selic ou a inflação no futuro.

Exemplo: você compra Tesouro Prefixado 2027 a 13,5% a.a. • Em 3 anos, independente de qualquer coisa, você receberá 13,5% ao ano sobre o valor investido • Se a Selic cair para 8%, você ainda ganha 13,5% — excelente • Se a inflação for de 12%, você perde em termos reais (1,135 ÷ 1,12 − 1 ≈ 1,34% real)

Quando o Prefixado faz sentido: • Quando a taxa contratada parece alta historicamente (Selic elevada e expectativa de queda) • Quando você tem certeza de que não vai precisar do dinheiro antes do vencimento • Para travar um retorno nominal garantido

Variante Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F): paga cupons de 10% ao ano a cada 6 meses mais o principal corrigido no vencimento.

Atenção ao risco: se você precisar vender o Prefixado antes do vencimento e as taxas de juros subiram desde a compra, você terá perda. O título de valor fixo é marcado ao preço de mercado diariamente.

Tributação e custos: o que afeta o rendimento real

Todos os títulos do Tesouro Direto têm os mesmos impostos:

Imposto de Renda (tabela regressiva): • Até 180 dias: 22,5% • De 181 a 360 dias: 20% • De 361 a 720 dias: 17,5% • Acima de 720 dias: 15%

IOF: cobrado apenas nos resgates nos primeiros 30 dias (tabela regressiva de 96% a 0%). Após 30 dias, zero IOF.

Taxa da B3: 0,20% ao ano sobre o valor investido (cobrada semestralmente). A maioria das corretoras modernas não cobra taxa adicional.

Simulação de rendimento líquido — Tesouro IPCA+ 2035 com taxa de IPCA + 6,5%, investindo R$ 10.000 por 10 anos com inflação de 4%: • Taxa nominal bruta: ≈ 10,5% a.a. • Taxa nominal após custos: ≈ 10,3% a.a. • Taxa nominal líquida de IR (15%, prazo > 720 dias): ≈ 8,75% a.a. • Valor final estimado: R$ 10.000 × (1,1035)^10 × (1 − 0,15) ≈ R$ 24.000 • Em termos reais (deflacionado pelo IPCA de 4%): poder de compra de ≈ R$ 16.200 em moeda de hoje

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Perguntas frequentes

Tesouro Direto é mais seguro que banco?

Sim, em teoria. Os títulos do Tesouro têm o risco soberano brasileiro — o mesmo risco do próprio governo. Bancos têm risco de crédito próprio (podem falir). No entanto, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre até R$ 250.000 por CPF por instituição em CDBs, LCIs e LCAs. Para valores abaixo desse limite em uma única instituição, o risco é parecido.

Posso perder dinheiro no Tesouro Direto?

Se mantiver até o vencimento, não — você recebe exatamente o contratado. Se resgatar antes do vencimento, o preço do título oscila com o mercado: você pode receber mais ou menos do que investiu dependendo das condições de juros. O Tesouro Selic tem oscilação mínima e é o mais seguro para resgates antecipados.

Qual a diferença entre Tesouro Direto e CDB?

Tesouro Direto é dívida do governo federal — risco soberano, tributação padrão, liquidez garantida. CDB é dívida de banco — risco do banco emissor, coberto pelo FGC até R$ 250.000, rentabilidade geralmente como percentual do CDI. CDBs de bancos médios costumam pagar mais (100% a 115% do CDI) como compensação pelo maior risco.

Qual Tesouro Direto é melhor para a reserva de emergência?

Tesouro Selic, sem dúvida. Ele tem liquidez diária, não oscila negativamente com o mercado e rende a taxa básica de juros. É superior à poupança na maioria dos cenários com Selic acima de 8,5% a.a. Para reserva de emergência, jamais use títulos prefixados ou IPCA+ sem vencimento próximo, pois você pode precisar resgatar em momento de prejuízo.

Conclusão

O Tesouro Direto oferece títulos para todos os perfis e objetivos: Selic para segurança e liquidez, IPCA+ para preservar o poder de compra no longo prazo, e Prefixado para travar taxas altas. O mais importante é alinhar o tipo de título ao seu objetivo e horizonte de investimento — e usar um simulador para comparar o rendimento real de cada opção antes de investir.

Fontes e referências

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